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Delação aponta que a ordem para o assassinato de Marielle por Lessa foi dada na manhã do dia do crime

Lessa revela que aguardava ansiosamente pela ligação

Por D7 Portal 08/06/2024 às 02:06:26

Foto: Reprodução/Instagram

Ronnie Lessa, que admitiu ter cometido o assassinato da ex-vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, revelou em um acordo de delação premiada que a ordem para o assassinato de Marielle foi dada na manhã do crime, em 14 de março de 2018. Ambos foram mortos naquela noite.

Lessa relata ter recebido uma ligação do ex-sargento da Polícia Militar Edmilson Macalé - que atuava como intermediĂĄrio entre ele e os irmãos Brazão, supostos mandantes do assassinato - por volta das 10h e 10h30 da manhã.

Ele afirmou que estava "ansioso" pela ligação e que imaginava que a missão ocorreria naquele dia.

"A gente jĂĄ estava esperando, a gente esperava esse momento. JĂĄ era uma... A gente jĂĄ estava ansioso por isso, né? Porque estava demorando muito", disse. "Então, quando ele ligou, ele falou assim: 'VocĂȘ estĂĄ preparado?'. Eu falei... É hoje, eu imaginei", acrescentou.

Macalé informou a Lessa que Marielle tinha uma reunião marcada no centro do Rio de Janeiro naquela noite. Ele disse que não estaria presente e que Ronnie Lessa deveria contatar a "pessoa na reserva disponível". A reunião ocorreu no Instituto Casa das Pretas, e a vereadora foi assassinada após o encontro.

"Ele disse: 'Realmente, houve uma informação, ela tem uma reunião marcada no centro da cidade à noite e... e vamos tentar proceder aí, cara. Só que, mais uma vez, eu não estou presente, eu não vou estar presente, e... e vocĂȘ aciona a pessoa que estaria na reserva disponível para isso'", relatou à PF.

Essa pessoa, de acordo com Lessa, era Élcio.

O depoimento foi prestado ao delegado da Polícia Federal (PF) Guilhermo Catramby em 2023, na SuperintendĂȘncia da Polícia Federal no Estado do Mato Grosso do Sul. Os depoimentos estavam sob sigilo até hoje.

Macalé foi morto em 2021. A reportagem procurou as defesas dos citados, mas ainda não obteve retorno. A defesa de Lessa, em nota, não comentou a respeito da delação.

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